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Agronegócio

01/03/2018 13:18 G1

Agropecuária cresce 13% em 2017; serviços têm recuperação tímida e indústria estaciona

A agropecuária foi o setor com melhor desempenho na economia em 2017, enquanto a indústria e serviços tiveram uma recuperação moderada. O Produto Interno Bruto (PIB) do ano foi divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Como um todo, a economia brasileira cresceu 1,0% em 2017, mas o resultado foi sentido de forma diferente para cada atividade econômica e também entre as diferentes empresas do país.

Desempenho da economia por setores em 2017. (Foto: Juliane Souza/G1)

Veja abaixo o que dizem pequenos e grandes empresários que atuam em cada setor da economia:

Com condições climáticas favoráveis, o ano foi marcado por um crescimento expressivo da safra, o que puxou uma expansão de 13% no PIB do setor. É o maior crescimento desde o início da série histórica.

Para a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Palis, o grande impulsionador do PIB de 2017 foi o agronegócio. "A agropecuária tem um peso de apenas 5,3% na composição do PIB, mas o setor respondeu por 0,7% do valor adicionado ao PIB, que foi de 0,9%", disse. "O valor adicionado é sem os impostos. O PIB é o valor a preços de mercado, incluídos os impostos."

Os produtores comemoram o bom resultado, mas ainda acham que, não fosse a queda de preços, poderia ter sido ainda melhor.

 
Marcos Ioris e família cultivam soja em uma área de 3 mil hectares, em Nova Mutum (MT) (Foto: Marcos Ioris/ Arquivo pessoal)

Marcos Ioris e família cultivam soja em uma área de 3 mil hectares, em Nova Mutum (MT) (Foto: Marcos Ioris/ Arquivo pessoal)

O produtor rural Marcos Ioris, de Nova Mutum, a 269 km de Cuiabá, colheu 58 sacas por hectare em 2017, cerca de 20% a mais do que na safra anterior. Ele aproveitou os bons ventos para investir em maquinário.

"O clima estava favorável. O investimento em adubação, tratamento com fungicida também é relevante. Acho que por causa do conjunto, tivemos um bom resultado", ponderou o produtor.

Na Coamo Agroindustrial, uma das principais cooperativas de produtores do Paraná, a safra também foi maior e as exportações cresceram em 2017.

 
Coamo disse que colheu mais, mas ganhos foram reduzidos pela queda do preço da saca de soja (Foto: Coamo/Divugação)

Coamo disse que colheu mais, mas ganhos foram reduzidos pela queda do preço da saca de soja (Foto: Coamo/Divugação)

Apesar da colheita maior, os produtores reclamam da queda do preço da saca de soja, que levou a receita a um valor abaixo do esperado.

Para o agrônomo José Aroldo Gallassini, presidente da Coamo Agroindustrial Cooperativa, o saldo do ano foi positivo, com destaque para a grande quantidade de milho e soja exportados.

“Estamos há vários anos com boas safras e bons preços. Não poderia dizer que foi um ano ruim, não. A safra foi maior, o preço foi menor, mas acabou compensando”, resume o presidente da cooperativa.

O economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, aponta a agropecuária como “o setor que apresentou maior relevância no resultado do PIB de 2017, a partir da forte safra de grãos revelada no mesmo ano”.

 

Já a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, lembra que, além de ter contado com boas condições climáticas de 2017 e alta nos preços das commodities, a agropecuária é, “disparado”, o setor que menos sofre impacto de crises econômicas. “É um setor resiliente porque a carga tributária é mais baixa, é menos intensivo em mão de obra e acaba sendo menos sensível ao custo Brasil”.

O setor de serviços foi o grande beneficiado pela retomada do crescimento do consumo das famílias, que subiu 1,0%. Com isso, a atividade no setor cresceu 0,3% em 2017.

Mas a sensação de quem trabalha em diferentes segmentos não é a mesma. Enquanto uns estão mais otimistas, outros duvidam que o setor esteja se recuperando da crise.

 
Douglas Cruz comemora o aumento da quantidade diária de clientes em seu salão de beleza em 2017 (Foto: Fábio Tito/G1)

Douglas Cruz comemora o aumento da quantidade diária de clientes em seu salão de beleza em 2017 (Foto: Fábio Tito/G1)

Douglas Cruz, dono de um salão de beleza no Centro de São Paulo, está no grupo dos que estão comemorando o desempenho em 2017, com alta de 30% no faturamento. O movimento cresceu especialmente no último trimestre do ano.

“A economia melhorou, as pessoas voltaram a gastar”, festeja Cruz.

No auge da crise, entravam no salão 3 fregueses por dia, em média. Agora, são 10. Com mais gente para atender, o dono do negócio está em busca de mais uma manicure. “Antes as pessoas só faziam o básico, que era o corte de cabelo. Agora fazem escova, serviços de tintura, pé e unha”, explica.

 
 
Adriana do Vale, dona de uma loja de doces em São Paulo, e a gerente do estabelecimento, Cintia Crozarioli, reduziram estoques para não terem mais produtos encalhados enquanto esperam as vendas aumentarem com mais força (Foto: Fábio Tito/G1)

Adriana do Vale, dona de uma loja de doces em São Paulo, e a gerente do estabelecimento, Cintia Crozarioli, reduziram estoques para não terem mais produtos encalhados enquanto esperam as vendas aumentarem com mais força (Foto: Fábio Tito/G1)

Mas, enquanto alguns comemoram, outros ainda aguardam o crescimento chegar a seus negócios. É o caso de Adriana do Vale, que afirma que uma melhora da economia ainda não foi sentida em sua bomboniere, também em São Paulo.

“Estamos melhorando a passo de tartaruga. Os consumidores cortam naquilo que não é essencial para eles”, reclama a comerciante.

Para manter o negócio aberto, ela teve de diversificar os produtos para oferecer várias faixas de preço e atender a todos os bolsos. Ela reduziu ainda seu estoque pela metade para não perder dinheiro com sobra de produtos.

Com a queda no número de clientes e de produtos comprados, aumentou o número de promoções para fisgar o consumidor. “Que vem atrás das ofertas sempre acaba comprando outros produtos”, diz Adriana.

O faturamento ficou estável, e a estratégia serviu para que a loja conseguisse fechar 2017 no azul e sem precisar cortar funcionários.

Para a economista Zeina Latif, as diferenças de percepção são normais no processo de recuperação da economia. “Pelas características dessa crise, não daria para imaginar que viesse todo mundo junto para a recuperação. Está indo por etapas”, comenta.

Mas ela afirma que, de maneira geral, o que se vê é uma recuperação moderada do consumo, que deve se disseminar. “Tem uma demanda reprimida por consumo muito forte.”

 

O ano foi marcado por uma movimento estável da atividade industrial, após três quedas consecutivas, mas mesmo assim a indústria ainda está longe da quantidade que produzia anos atrás.

 
Renato Bitter, que é diretor de uma fábrica que produz tecidos, diz que ainda não é possível sentir uma melhora muito significativa (Foto: Celso Tavares/G1)

Renato Bitter, que é diretor de uma fábrica que produz tecidos, diz que ainda não é possível sentir uma melhora muito significativa (Foto: Celso Tavares/G1)

“De fato, a crise foi tão forte que é muito difícil voltar onde estávamos”, reconhece Renato Bitter, que é diretor da Savyon, uma empresa do segmento da indústria têxtil localizada em São Paulo. Apesar da queda dos juros e da inflação controlada, Bitter diz que não consegue enxergar uma melhora consistente na empresa, que ainda apresenta um alto nível de ociosidade.

“Dentro da minha fábrica, eu vejo que, se existiu alguma melhora em 2017, ela ainda não chegou para a gente ou, se chegou, veio muito tímida”, reclama. No entanto, ele ressalva que já houve, ao menos, um sinal de estabilização das perdas.

“O faturamento não está crescendo como a gente gostaria que estivesse, mas a queda não está tão brusca. Parece que está sinalizando que pode estabilizar”, analisa o diretor da fábrica.

“Pode ser que o fundo do poço já tenha passado, mas a gente não sabe.”

O desempenho de diferentes atividades industrias também foi bastante variado em 2017, com algumas se recuperando mais rapidamente que outras. A construção civil, por exemplo, foi um dos setores que mais se retraiu em 2017 -- queda de 5,0%, segundo o IBGE

Mas, mesmo na construção, há diferença na percepção. As construtoras focadas em obras de infraestrutura estão demorando mais para se recuperar, já que o nível de investimento ainda está baixo. O mercado imobiliário, no entanto, já esboçou uma recuperação em 2017 e registrou um aumento de 46% nas vendas, de acordo com dados do Secovi, sindicato que representa o setor.

 
Eduardo Muszkat, diretor executivo da construtora You, está otimista por causa do aumento na velocidade de vendas (Foto: Fábio Tito/G1)

Eduardo Muszkat, diretor executivo da construtora You, está otimista por causa do aumento na velocidade de vendas (Foto: Fábio Tito/G1)

Para Eduardo Muszkat, diretor executivo da construtora You, especializada no segmento residencial, a retração do setor nos últimos anos começou a se reverter em 2017, que classificou como o ano que trouxe uma "melhora exuberante".

Ele diz que o ritmo de lançamentos e o volume de vendas da empresa ficaram estáveis, mas os imóveis disponíveis no mercado são vendidos mais rápido, o que segurou o movimento de queda de preços.

“É na velocidade das vendas que a gente sente o pulso do mercado”, afirma o diretor da construtora.

Em dezembro, por exemplo, a empresa vendeu 70% das unidades de um lançamento em uma semana – o que não acontecia desde 2012. Muszkat aponta entre os fatores que puxaram essa melhora a melhora nos indicadores de emprego e a queda da taxa de juros.

Com mais gente procurando imóveis, a empresa não precisou mais lançar mão de grandes descontos como vinha fazendo nos anos anteriores. “Estou praticando preços mais condizentes que os do ano anterior, mais condizentes para mim”, comemora Muszkat.


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