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Cidades

05/12/2017 15:05 Gazeta Digital

Fernando Correa e Miguel Sutil lideram ocorrências de atropelamentos

De janeiro até momento agentes da Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá (Semob) realizaram 388 atendimentos a vítimas de atropelamentos. As vias com maior número de acidentes na capital são a Fernando Corrêa da Costa e Miguel Sutil, onde foi registrado um óbito por atropelamento na noite do último domingo (3).

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), entre janeiro e setembro deste ano foram registrados 194 óbitos no Pronto Socorro Municipal de Cuiabá (PSMC), em decorrência de acidentes de trânsito. 

Engenheiro de Trânsito, Luiz Miguel de Miranda, diz que número de acidentes do tipo está associado a instalação inadequada de faixas para travessia e a má educação do pedestre.

Na noite do último domingo, a idosa Valerie Lentch Pawlina, 71, morreu após estacionar seu veículo no bairro Araés e tentar atravessar a avenida Miguel Sutil para ir a uma supermercado. Apesar da faixa de pedestre e semáforo no local, ela teria tentado fazer a travessia cerca de 30 metros de distância da faixa.

Diversos outros acidentes já foram registrados no mesmo local, a exemplo do que vitimou o radialista Ademir Rodrigues, 65. Ele morreu no dia 22 de outubro de 2016, após ser atropelado por um carro Fiat Uno.

Devido ao alto índice de acidentes na região, o gestor da Semob, Antenor Figueiredo, informou que a pasta irá fazer um estudo para rever a sinalização. Segundo ele, ainda esta semana, técnicos de trânsito irão até a região fazer um levantamento. “Já estamos levando em consideração a instalação de um redutor de velocidade e reforço da sinalização vertical e horizontal da avenida”.

Porém, Figueiredo enfatiza que a população precisa se conscientizar e respeitar a sinalização, pois a maioria dos acidentes registrados na região envolvendo pedestres, ocorreram por imprudência destes. “Acredito que teremos que fazer uma campanha de conscientização junto a população adulta, como fazemos nas escolas. Por incrível que pareça, os mais velhos esqueceram qual é o local ideal para atravessar uma via”.

Em 2016, a Semob atendeu 16 ocorrências de atropelamento na avenida Miguel Sutil. Este ano, até o momento, foram 14 ocorrências do tipo. “Assim como a Fernando Corrêa da Costa, a Miguel Sutil é uma via de grande circulação de veículos e requer atenção dobrada ao trafegar por ela, tanto por parte dos motoristas, quanto de pedestres e ciclistas”, explica o diretor de trânsito, Michel Diniz.

Pedestres relatam que atravessar as principais vias de Cuiabá é uma missão que coloca a vida o tempo todo em risco. Nossa equipe de reportagem registrou momentos tensos de pessoas tentando atravessar a avenida Miguel Sutil em que a rotatória que tem quatro saídas com acesso aos bairros Goiabeiras, Jardim Mariana e Santa Rosa, não possui nenhuma faixa de pedestre.

“Trabalho em uma imobiliária logo no início do bairro Santa Rosa e dependo de ônibus. Do ponto até chegar no meu serviço preciso atravessar três vias e todos os dias rezo para não ser atropelada. Os carros vem em alta velocidade e não tem uma faixa de pedestre ou passarela sequer”, conta a atendente Ana Cristina Arruda, 29.

Auxiliar de pedreiro, Antônio Gusmão, 38, também trabalha em uma obra na região, há cerca de três meses. “Neste período eu já perdi as contas de quantas vezes quase fui atropelado. Sou muito cauteloso, só piso na avenida quando tenho certeza que dá para atravessar, mas sem uma faixa de pedestre, atravessar a Miguel Sutil neste trecho é praticamente uma roleta russa”.

Na avenida Fernando Corrêa da Costa não é diferente. No ponto de ônibus que fica alguns metros antes do viaduto da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), pedestres relatam momentos de tensão ao tentar atravessar a via. “No horário de pico o risco é ainda maior. São motoristas e pedestres apressados e todos querendo chegar ao seu destino. Muitas vezes essa situação acaba resultando em tragédia”, reclama a universitária Millena Licélia Duarte, 20.

Engenheiro de trânsito, Luiz Miguel Miranda explica que praticamente toda a sinalização da capital foi realizada de forma equivocada. Segundo ele, cada tipo de via tem uma engenharia adequada para a implantação de faixa de pedestre. “Na Miguel Sutil e Fernando Corrêa da Costa, consideradas vias semi expressas, as faixas deveriam ser elevadas, com 17 centímetros de diferença do asfalto. Isso evitaria que motoristas trafegassem em alta velocidade nos locais considerados de travessia”. 


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