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Cidades

12/02/2018 11:08 Olhar Direto

Artesão cuiabano costura fantasias para blocos mato-grossenses há 30 anos

Muitas das fantasias que desfilam pelos blocos de Cuiabá passaram pelas mãos de  um único homem, que dedicou 30 anos da sua vida ao carnaval, assim como Pierrot se dedicou a Colombina. As mãos de pardal de Rosino Sebastião Martins dos Santos, o Marri, já costuraram mais de 6 mil fantasias para a folia de Mato Grosso, em um trabalho silencioso em seu ateliê camuflado.


O portão do seu ateliê, que fica na Praça da Mandioca, estava aberto e pelo vão já podia se observar as inúmeras penas, lantejoulas e ornamentos espalhados pelo espaço. Chegamos de surpresa, assim como muitos dos seus clientes que aparecem nesta semana apertada. Só naquele dia, cinco pessoas pediram pelos serviços de Marri.


Com uma cola quente na mão e a outra pregando os búzios, que dará vida à fantasia de tema africana, Marri respondia as perguntas precisas, sem tirar o olho do trabalho. Ele conta que aprendeu a costurar de forma autodidata, como um dom genuíno. “Sempre costurei. E aprendi só olhando, e da minha família, só eu que costuro. Isso ai já nasce, é dom mesmo, está no sangue”.


Marri relembra seu primeiro Carnaval, em 1981, quando morava no Bairro Dom Aquino. Foi no Morro do Tambor, nos desfiles tradicionais da região que ele exibiu pela primeira vez, junto com uma vizinha, suas técnicas de costura, de forma totalmente improvisada.


“A primeira fantasia que eu fiz, eu desfiei um saco de frango, porque na época ráfia era muito caro. Desfiamos cinco sacos de frango só para uma fantasia! Eu lembro que ela representava água, uma cascata. Acho que era de Iemanjá”, lembra.


Atualmente, o depósito do carnavalesco de origem humilde conta com inúmeros ornamentos novos, garimpados ou internacionais. Os blocos Banana da Terra, Império de Casa Nova, Unidos do Porto e Unidos do Araés são alguns exemplos que tiveram suas fantasias oriundas do ateliê de Marri. Até mesmo outros municípios, como Santo Antônio de Leverger, Acorizal e Campo Grande (MS) passaram por ali.
 
Como clarividência de só quem tem o dom, ele conta que não existe uma inspiração definida. As fantasias simplesmente aparecem, e o homem corre para desenhar e executar. “No decorrer do ano eu já vou fazendo os esqueletos da roupa, sem bordar. Vem na mente e eu já corro, sento e começo a fazer, fica mais fácil. Assisto ao Carnaval também, mas vem na mente até o que eu vou colocar na roupa”.


Mesmo com um portfólio enriquecido de milhares de peças, Marri aponta suas fantasias preferidas. Uma delas, fruto do imediatismo das ideias, foi feita com ossos de peixe em 2007, e está exibida em seu ateliê, assim como vários manequins espalhados.


“Uma que eu gostei de fazer foi ano retrasado para a Banana da Terra. Era uma roupa de Rainha da Bateria, toda verde e rosa. E foi a mais trabalhosa, durou uma semana para fazer. Porque até separar de um lado para o outro as penas, demora muito, colar uma por uma... E o bordado é o que demora mais. Faço tudo sozinho, porque não há mão de obra aqui”.


Por deixar sua marca em muitos blocos, Marri não tem uma escola de coração. Mas revela que sua paixão de Carnaval são as portas-bandeiras, e já chegou a costurar uma peça. “É a alma da escola. Todos falam da Rainha da Bateria e do Rei Momo, mas a porta-bandeira pra mim é a melhor, e a roupa mais difícil. São três meses para montar uma roupa, de uma grande escola como as do Rio ou São Paulo. Eu consegui em uma semana, porque aqui é mais simples”, disse.  


Ainda com as mãos sem parar - desde outubro, quando surgem os primeiros pedidos -, o artesão lamenta a falta de investimento na cultura. “Hoje o problema é o dinheiro, quase ninguém tem dinheiro para o Carnaval. Aqui, muita gente não dá valor, como em outros lugares, Rio de Janeiro e São Paulo. E falta muita mão de obra especializada, material... Temos que pedir de fora. Falta muito incentivo, que é o principal”.
Morador há 9 anos da Praça da Mandioca, ele ainda cita sobre a Prefeitura não ter organizado nada no local, que é tradicional da folia cuiabana há mais de 50. “Estão querendo fomentar a Orla, só que aqui é mais antigo, aqui é tradição”.  


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