26 de Maio de 2019

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Sexta-feira, 15 de Março de 2019, 15h:00 - A | A

UFMT exibe documentários sobre o médio araguaia em Barra do Garças

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Seis filmes documentários de curta e média duração sobre a região do médio araguaia mato-grossense serão exibidos nos dias 19, 21 e 22 de março no cinema do Barra Center Shopping, em Barra do Garças (516 km de Cuiabá). Além desses, serão rodados dois documentários convidados, que tratam de temática semelhante relacionada à Região do Xingu, também no Mato Grosso. A entrada é gratuita.

A mostra é resultado do projeto Olhares do Araguaia, realizado pelo Núcleo de Produção Digital (NPD) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pela Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso, por meio do Prêmio Territórios.

A cada dia, os documentários serão apresentados em sequência, sem intervalo, em uma sala exclusiva do cinema, em sessões que começam às 19h e podem ter duração de até duas horas. Na terça-feira (19), serão exibidos três filmes: “Veredas do Araguaia, Xavante: memória cultura e resistência” e “Sonhei com este vale”. Na quinta (21), serão apresentados mais três: “A terceira margem”, “Catireiros do Araguaia” e “Para onde foram as andorinhas?”. Na sexta (22), dia de encerramento, o público poderá conferir os dois últimos documentários da mostra: “Araguaia para sempre” e “Ser tão Araguaia”. As sinopses e as equipes de produção de cada documentário poderão ser acessadas abaixo ou no site https://www.even3.com.br/mostraaraguaia.

A mostra de documentários Olhares do Araguaia pretende resgatar, nas produções audiovisuais que apresenta, a história do Médio Araguaia mato-grossense, além de retratar as diversas perspectivas que compõem a identidade cultural dessa região: a ocupação do leste de Mato Grosso; a influência indígena no passado e na atualidade; a importância do meio ambiente como fonte de riqueza, costumes e sustentabilidade; o multiculturalismo e a diversidade étnica gerada pelos ciclos de migração ocorridos.

Personagem principal da mostra, o Rio Araguaia promove a conexão das perspectivas apresentadas. Pelo curso de suas águas e pelos seus caminhos terrestres passaram indígenas, garimpeiros, missionários, pesquisadores, agricultores, aventureiros e místicos, que geraram conflitos e integração nos sertões do Brasil Central. Assim, Olhares do Araguaia são os olhares que abordam o Rio Araguaia e sua história na região. Por outro lado, também são os olhares que o rio, como personagem principal dessa trajetória, lança sobre suas margens.

Identidade, resistência e democratização da produção cultural

Segundo a coordenadora do projeto, jornalista e professora Carina Andrade Benedeti, a realização da mostra no cinema se justifica por razões técnicas e também pela importância simbólica de ocupar com a “nossa história e a nossa gente” esse espaço que normalmente dá visibilidade a grandes produções internacionais. "Nós precisamos ver questões locais nas telinhas e nas telonas para valorizar o que temos,refletir sobre o que podemos fazer para avançar.E reconhecer a importância do Araguaia na constituição da nossa identidade é o primeiro passo para lutar pela sua preservação." A coordenadora destaca que as sessões são gratuitas, o que permite o acesso democrático de toda a população local às produções.

Já para o coordenador do Núcleo de Produção Digital, o professor do curso de Jornalismo da UFMT/Araguaia Gilson Moraes da Costa, “trata-se de um evento significativo neste momento de criminalização de diversas manifestações culturais no País. A mostra acaba sendo uma forma e um momento de resistência e de afirmação do lado social da cultura”.

O professor destaca também que, assim como ocorre com os demais projetos realizados diretamente ou em parcerias pelo NPD, o projeto é uma forma de possibilitar o acesso gratuito aos equipamentos públicos e ao que se produz sobre as populações que estão fora dos grandes centros do País. “Em cada um dos documentários, boa parte deles produzidos diretamente pelo NPD, a população pode refletir sobre a sua realidade e a enorme diversidade cultural que constitui a população brasileira, e também a barra-garcense. Todos têm histórias para contar e vê-las exibidas em tradicionais salas de cinema, ao lado de outras tantas, enriquece muito a reflexão sobre a própria existência”, conclui o professor.  

Araguaiana

A mostra também passará por Araguaiana (MT), a menos de 50 km de Barra do Garças, retratada em algumas produções que agora fazem uma espécie de volta às origens. Nessa cidade, os filmes serão exibidos nos dias 27, 28 e 29 de março, sempre pela manhã, às 8h30, para atingir preferencialmente o público estudantil. A mostra em Araguaianaserá realizadana Biblioteca Municipal Antídia Coutinho, onde funciona o cineclube vinculado ao NPD/UFMT.

Colóquio

Um dos desdobramentos do projeto é a realização do Colóquio Olhares do Araguaia, a ser realizado no dia 3 de abril de 2019, às 19h, no auditório 224 da unidade de Barra do Garças do Campus Araguaia da UFMT (entroncamento das BRs 070 e 158). Com mesa de debates composta por estudiosos sobre o Rio Araguaia da Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia, e de representantes da Organização Não-Governamental (ONG) Rios Vivos, de Barra do Garças, o evento pretende discutir as ameaças à preservação do Rio Araguaia.

Oficinas

A última ação do projeto Olhares do Araguaia será a realização, em maio deste ano, de quatro oficinas ligadas à produção de documentários em Barra do Garças e uma em Araguaiana. Elas serão ministradas por membros e parceiros do NPD e por convidados externos. Em Barra do Garças, ocorrerá uma oficina por semana, durante todo o mês de maio, nas dependências do próprio Núcleo de Produção Digital da UFMT, sobre os seguintes assuntos: Fotografia e vídeo, Pesquisa e roteiro, Formação de ator para cinema e vídeo, Edição e pós-produção. Já em Araguaiana será realizada a oficina de Fotografia, vídeo e direção. Os detalhes das oficinas e dos seus ministrantes podem ser conhecidos pelo site https://www.even3.com.br/mostraaraguaia/.

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