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Curiosidades

29/06/2018 15:00 OLHAR Conceito

Há mais de duas décadas, espetinho resiste às transformações na Praça Popular

Há quase trinta anos, quem passa pela Praça Popular, em Cuiabá, encontra diariamente um paulista ‘cuiabanizado’ vendendo espetinhos e mandioca. Com muita história pra contar, seu Antonio Torres dos Santos, hoje com 69 anos, já viu quase todas as mudanças da praça, quatro reformas no local e conta que, hoje, atende os filhos das crianças que conheceu no passado.

Antônio morava em São Paulo, e trabalhou com açougue desde os quinze anos de idade, junto a um primo. Foi com este mesmo primo que veio para Cuiabá, onde se empregou na Rede União – hoje já falida.
Pouco tempo depois de chegar, ele começou a ter problemas de pele no dedo da mão. Pensou que fosse panarício, chegou a fazer três cirurgias sem resolver o problema. “Ia comendo o dedo todo, doía, até o braço entrevava todo, o pescoço...”, lembra.


Seu Antônio também tinha um bar, mas chegou a pensar que os problemas de pele aconteciam em decorrência do contato com produtos químicos de limpeza, e decidiu vendê-lo.


 


Foi um médico da Santa Casa que lhe deu o veredito: era câncer de pele, e precisaria amputar. Sem o dedão, não tinha mais como cortar carne no açougue, e ele ficou desempregado. Continuando no ramo das carnes, começou a fazer espetinhos na Praça Popular.

“Tinha só a Sorella. Onde é o Habibe era a Oficina do Pastel, onde é o Ditado era um barzinho, onde tem o estacionamento era uma vendinha”. A praça dos anos 2000 é descrita pelo churrasqueiro, que nunca saiu dali.
Segundo ele, tudo começou em 2004, quando se instalou no local um pagode. “A praça tinha uns arcos, tinha uma pizzaria chamada Xô Pizza. Teve pagode dois anos e três meses aqui, não tinha um segurança, não tinha um guarda, e você nunca viu discussão nem de boca. Aí evoluiu, começou o movimento”.


Ao passar dos anos, viu o barzinho se transformar em uma pastelaria, para depois ser Ditado Popular. Viu a boate ‘Los Pueblos’ fechar as portas, se tornar um café, depois outro bar. Viu um escritório de advocacia ser comprado pela família Sonia Bittencourt pra se tornar outro bar.


Para ele, pouca coisa mudou. Uma delas é o movimento. “Agora faço 70, 80 espetinhos por noite. Mas antigamente, quando era bom, era 150, 180 espetinhos, e às 19h já tinha acabado. É que a crise pegou todo mundo”.


A clientela diminuiu, mas cresceu de idade. “As crianças que vinham aqui, hoje voltam formadas. São médicos, engenheiros, advogados... já tem os filhos e trazem aqui também”.
E, segundo seu Antônio, eles não são só moradores da região, mas vem de Várzea Grande, do CPA, do Coxipó, da Morada do Ouro, da Rodoviária, do Santa Rosa, do Santa Amália, da Cidade Alta, e do Coophamil.



Cleusa da pipoca (Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto)


Junto a seu Antônio, há dezesseis anos na praça está Cleusa Dias, ou como é conhecida, a Cleusa da pipoca. “Eu trabalho aqui na pracinha também há muitos anos. Eu falava pra ele, ê seu Antônio, vamos aposentar aqui nessa pracinha... Tanto que eu coloquei no meu carrinho ‘pipoca da praça’”.


Ela conta que o sucesso é tanto, que é reconhecida até mesmo nas festas que vai, pelos clientes. Segundo Cleusa, a praça fica cheia no final da tarde, quando os pais trazem as crianças, depois da escola. Também por isso, seu filho já está seguindo seus passos, e instalou um pula-pula no local.

 

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