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Curiosidades

10/01/2019 15:28 OLHAR Conceito

Livrarias restantes em Cuiabá reduzem lojas, abrem mão de estoque e até do ar-condicionado para sobreviver

A era tecnológica tem feito muitas livrarias perderem clientes e serem obrigadas a  fechar as portas ou se reinventar para sobreviver à “crise”. Em Cuiabá, a livraria Adeptus, em funcionamento há mais de 30 anos, fechou cinco lojas e transferiu uma unidade para prédio próprio na tentativa de reduzir custos.


A gerente Elen Moraes lamenta a desvalorização das livrarias: “Hoje nós não vivemos mais da venda, o que nos mantém funcionando é somente o amor pelos livros”, relata. Um dos desafios das empresas do ramo é despertar o hábito da leitura na nova geração.



O livro ganhou muitos concorrentes com o passar dos anos. São computadores, jogos, séries e principalmente os smartfones. A geração Z, nascida a partir de 2001, é composta por pessoas mais agitadas, ansiosas, que querem resultados rápidos e não se prendem a um livro impresso por muito tempo. Mas o futuro do livro não está morto. O que vemos são as livrarias e sebos vendendo para quem já tem o hábito da leitura. O que falta para as futuras gerações é adquirir esse hábito, buscar histórias e consumir esse nicho de produto.


A livraria Adeptus, uma das mais tradicionais de Cuiabá, sentiu no bolso essa mudança de cultura. “Saímos do shopping e viemos para esse ponto porque é imóvel próprio e não precisamos pagar aluguel, mas a situação é muito complicada. Tivemos que abrir mão do conforto. Aqui não ligamos o ar condicionado, porque não teria como pagar a conta de luz. As despesas caíram 90%, mas as vendas também. Hoje nós não vivemos mais da venda, o que nos mantém funcionando e atendendo ao público é somente o amor do proprietário pelos livros”, afirma a gerente da livraria.


Para ela, a principal causa desse distanciamento do público com os livros é a internet. “As pessoas não têm a cultura de ler, mas o principal motivo que eu vejo, é a internet. Tudo é na internet. As pessoas não querem mais parar a correria do dia para ler um livro”, ressalta.


Elen é gerente da Adeptus há 15 anos, e conta que hoje a livraria não consegue mais trabalhar com estoque. “Temos livros aqui que foram comprados quando abrimos a empresa, há 30 anos. Querendo ou não os efeitos do tempo para os livros são terríveis. As páginas oxidam e a gente acaba perdendo o material. Não temos condições de manter um estoque. Se o cliente quiser um livro que não tem aqui a gente encomenda, mas nem sempre o valor compensa e eles acabam desistindo da compra”, ressalta.


Mesmo com o risco de perder o estoque com as ações do tempo, Elen conta que já apareceram várias pessoas querendo comprar os livros para abrir sebos, “o proprietário não vende. Ele não se vê abrindo mão disso aqui que ele tanto ama. É a história dele que tem aqui dentro”, conclui.


Mercado de livros usados
 

Para a jornalista Marília Bonna, proprietária do sebo itinerante Rua Antiga, o comércio de livro continuará existindo mesmo que as livrarias acabem fechando. “Com tudo que tem se falado sobre um possível desaparecimento do livro físico, eu acredito que ele vá migrar para o lugar das coisas desaparecidas e o lugar das coisas desaparecidas é  os sebos e os antiquários”, afirma.


Para ela, os sebos não estão com o “futuro ameaçado”, como aparentemente estão as livrarias. “O sebo é um mercado que nunca passa por crise alguma, porque é um mercado marginal, alheio às demandas do mercado convencional: com seu próprio público, seus próprios valores, suas próprias regras. O sebo é atemporal: ele não depende de moda, ele não depende de costumes, ele depende apenas de nostalgias. E os nostálgicos sempre existirão”, comemora.


Marília conclui, “o que quero dizer é: quem é cliente de sebo é cliente de sebo e vai continuar sendo cliente de sebo ainda que possa também, eventualmente, ser um cliente de livraria. Quem gosta de sebo gosta do ambiente, gosta dos preços, gosta de achar coisas que já saíram de catálogo, gosta de descobrir autores, gosta de livros antigos, gosta da possibilidade de encontrar uma raridade. Sendo assim, na minha opinião, livrarias e sebos não se colocam nessa posição de concorrência e é engraçado porque, embora os dois vendam livros, eles definitivamente não vendem a mesma coisa”.


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