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10/10/2017 14:27 G1

Ministro do STJ aponta primo de governador de MT como um dos maiores beneficiários dos grampos

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Ribeiro Dantas diz, na decisão que negou a soltura do ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques, primo do governador Pedro Taques (PSDB), que ele é um dos principais beneficiários das escutas ilegais feitas no governo do estado. O magistrado ainda o aponta como "protagonista" do esquema de grampos. A decisão proferida no dia 4 deste mês foi publicada nesta terça-feira (10).

"É incontestável mesmo que o investigado Paulo César Zamar Taques se apresenta - pelo menos diante dos elementos informativos até agora obtidos - como um dos principais protagonistas do grupo criminoso, e maior beneficiário das escutas telefônicas clandestinas", diz o ministro, em trecho da decisão.

Há indícios de que Paulo Taques participe da organização criminosa desde a criação do "Núcleo de Inteligência" da Polícia Militar, em meados de setembro de 2014.

Ao argumentar a suposta participação de Paulo Taques no esquema, o ministro destacou trechos do depoimento do tenente-coronel da Polícia Militar José Henrique Costa Soares em que ele cita o nome do ex-secretário.

Soares atuava como escrivão no Inquérito Policial Militar (IPM) que apura as escutas clandestinas e foi cooptado pelos integrantes do esquema a fazer parte do plano que buscava afastar o desembargador Orlando Perri das investigações sobre os grampos no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT)

Um dos trechos citados pelo magistrado refere-se a uma conversa que Soares teve com a mulher do coronel da Polícia Militar Evandro Alexandre Lesco, Helen Christy Carvalho Dias Lesco, quando ela o ameaça, caso ele se recuse a ajudá-los no plano para tentar prejudicar as investigações e colocar o magistrado sob suspeição.

No trecho mencionado pelo ministro, Soares disse que Helen Lesco afirmou que a Secretaria de Segurança Pública do Estado tinha gravações que comprovavam a dependência química do militar e de outras situações supostamente criminosas das quais Paulo Taques tinha conhecimento.

"O depoente (Soares) supõe que seriam referentes a situação de uma empresa que o depoente teria tido sociedade e que Paulo Taques foi seu advogado, tendo conhecimento de todos os fatos, inclusive sua dependência química foi revelada a Paulo Taques nessa oportunidade", diz a parte citada pelo ministro.

Para ele, a manutenção da prisão de Paulo Taques é imprescindível para a garantia da ordem pública. "A custódia provisória está fundada na garantia da ordem pública e na instrução criminal, diante dos fatos gravíssimos ora apurados, que estariam, em tese, a demonstrar o poderio do grupo criminoso e a vislumbrada tentativa de atrapalhar a investigação e a condução do feito, mediante a coação e o suborno do escrivão do Inquérito Policial Militar originário", declara.

A ex-amante de Paulo Taques, Tatiana Sangalli foi uma das centenas de pessoas que tiveram os telefones grampeados clandestinamente.

Em depoimento prestado em julho deste ano, ela afirmou que desconfiava que o seu número de telefone havia sido grampeado antes mesmo do esquema vir à tona, pois a amiga dela e ex-assistente de Paulo Taques na Casa Civil, Caroline dos Santos, disse que havia perdido o cargo "porque as duas haviam sido grampeadas e sabiam de tudo o que estava acontecendo.

Ao ser mandada embora, a ex-assistente teria ouvido de Paulo Taques que ele "sabia das condutas dela e alegou que ela o estava traindo".

 

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