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Educação

24/11/2017 13:30 Gazeta Digital

Alunos tomam chuva em salas improvisadas há mais de 1 ano

Mais de 700 alunos com idades entre 6 e 14 anos, da Escola Estadual 31 de Março, em Canarana (823 Km a Leste de Cuiabá), estão tomando chuva em salas de aula improvisadas já há 1 ano.

Fotos comprovam que a situação está complicada.

Diretora da unidade, Valéria Mendes Moreira diz que, em dias de chuva, não tem outra saída a não ser liberar os alunos e que já fez isso pelo menos 2 vezes.

"Vou fazer o que?" - questiona em entrevista.

Isso está acontecendo porque o prédio próprio da unidade vinha apresentando rachaduras nas paredes desde 2015. O telhado também vergou, preocupando a direção, professores, funcionários e principalmente os pais de alunos.

De acordo com a diretora, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) foi informada do problema há 2 anos e um representante da secretaria chegou a ir à cidade para verificar problemas educacionais, incluindo este, porém está envolvido na Operação Rêmora, e não vou voltou mais nem deu satisfações.

A Remôra é uma investigação do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e que descobriu esquema de corrupção dentro da Seduc, desviando dinheiro de obras de escolas e favorecendo empreiteiros. A operação forçou a exoneração do então secretário da pasta, Permínio Pinto, que chegou a ser preso e agora responde em liberdade.

Empresários e servidores também estão respondendo por corrupção na Seduc.

Como a Seduc não resolveu a situação perigosa de imediato, a diretora diz que a comunidade escolar pediu ajuda ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), que emitiu laudo desfavorável, confirmando o risco.

"O laudo nos assustou, mas o problema é visível", comenta a diretora Valéria. Em dezembro do ano passado, após várias reuniões na escola, pais de alunos se revoltaram e, em protesto, fecharam a unidade. Por conta própria, também arranjaram outro lugar para os filhos estudarem.

Mãe de uma aluna de 11 anos reclama que é absurdo deixar alunos tomar chuva e não tem como aprender direito assim. Ela, que está acompanhando esta situação desde o ano passado e preferiu não dar o nome para não se expor, explica que, indo à escola levar a filha para a aula e ao participar de reuniões foi percebendo que as paredes estavam rachando e o telhado ameaçando cair em cima das cabeças.

"Podia acontecer uma tragédia, dessas que a gente vê nos noticiários", comenta. Sendo assim, tirar as crianças de lá seria medida de segurança. As salas improvisadas atendem crianças e adolescentes do 1º ao 9º ano. Ficam no parque de exposições.

São cobertas por telha de zinco e fechadas por paredes de tapumes. Além de quente, a estrutura não barra chuva. Aparelhos de ar condicionado também não funcionam bem nestas salas porque elas não são devidamente vedadas.

O prédio original da Escola Estadual 31 de Março é antigo e central, foi construído 1972. Esta é a primeira escola da cidade, fundada oficialmente em 1975 e que hoje tem 18 mil habitantes.

O atual secretário de Educação, Marco Marrafon, chegou a anunciar na cidade que a escola seria reconstruída em breve. “Percebemos que se trata de uma escola histórica e que não têm mais condições de receber reparos ou reformas, mas sim uma nova estrutura para assegurar educação de qualidade a cada um desses 700 alunos que aqui estudam”, disse Marrafon, na terceira edição da Caravana da Transformação, realizada no município pelo Governo do Estado, isso em novembro do ano passado.


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