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Mundo

01/10/2018 16:59 G1

Entre protestos, Catalunha lembra 1º aniversário do referendo de independência

Grupos de separatistas catalães bloquearam estradas e vias férreas, nesta segunda-feira (1º), no 1º aniversário do referendo sobre a independência da Catalunha.

Em alguns locais, como Barcelona e Girona, houve confronto com a polícia.

No plebiscito, considerado ilegal por Madri, mais de 2 milhões de eleitores aprovaram a independência da região. Dias depois da consulta popular, em 27 de outubro, o então presidente da região, Carles Puigdemont, fez um pronunciamento que foi considerado uma declaração unilateral de independência da Catalunha. O governo espanhol reagiu firmemente e interveio na região.

 
Policiais encaram manifestantes pró-independência após protesto realizado um ano após referendo por separação da Catalunha, em Barcelona, na segunda-feira (1) — Foto: Reuters/Jon Nazca

Policiais encaram manifestantes pró-independência após protesto realizado um ano após referendo por separação da Catalunha, em Barcelona, na segunda-feira (1) — Foto: Reuters/Jon Nazca

Um ano depois desse referendo, que foi possível graças à colaboração na clandestinidade de milhares de cidadãos, os grupos mais radicais pressionam o novo governo, liderado por Quim Torra, que iniciou um tímido diálogo com Madri.

 
 
Manifestantes pró-independência derrubam barreiras que os separavam de policiais durante protesto em Girona, realizado um ano após referendo de separação da Catalunha, na segunda-feira (1) — Foto: AP Photo/Manu Fernandez

Manifestantes pró-independência derrubam barreiras que os separavam de policiais durante protesto em Girona, realizado um ano após referendo de separação da Catalunha, na segunda-feira (1) — Foto: AP Photo/Manu Fernandez

Os Comitês de Defesa da República, que reúne associações radicais que reivindicam a ruptura imediata com a Espanha, bloquearam, de surpresa, a linha ferroviária de alta velocidade entre Barcelona e França, diferentes autoestradas e também algumas ruas da capital catalã. As mobilizações continuaram ao longo desta segunda-feira.

Também foi realizada uma marcha de universitários, que convocaram uma greve para recordar o referendo. À tarde, em toda Barcelona, uma manifestação separatista reivindicou que "se torne efetivo o desejo da maioria do povo da Catalunha".

 
Manifestantes pró-independência exibem urnas usadas na votação pela separação da Catalunha, em frente ao Arco do Triunfo, em Barcelona, em protesto realizado um ano após referendo, na segunda-feira (1) — Foto: AP Photo/Daniel Cole

Manifestantes pró-independência exibem urnas usadas na votação pela separação da Catalunha, em frente ao Arco do Triunfo, em Barcelona, em protesto realizado um ano após referendo, na segunda-feira (1) — Foto: AP Photo/Daniel Cole

"Os CDRs pressionam e fazem bem em pressionar", reagiu o presidente catalão, Quim Torra, de Sant Julià de Ramis, o pequeno povoado onde, há um ano, Puigdemont votaria, mas foi impedido pela chegada da Polícia, que reprimiu os eleitores.

 

"Temos que agir nas próximas semanas com a mesma determinação" que em 1º de outubro, insistiu, no momento em que a ação de seu governo começa a gerar tensão com os separatistas mais radicais.

No sábado, a Polícia regional atuou fortemente contra uma manifestação separatista que tentava chegar a um ato para homenagear os agentes enviados há um ano por Madri para evitar o referendo.

 

Referendo

A votação de 2017 significou um momento de tensão máxima entre Barcelona e Madri, após anos de auge do separatismo nessa região de 7,5 milhões de habitantes, rachada sobre a secessão.

Um ano depois, a tensão diminuiu, especialmente após a chegada ao poder espanhol do socialista Pedro Sánchez, partidário de se buscar uma saída dialogada para a crise catalã.

 
Manifestantes pró-independência da Catalunha fizeram protesto em Barcelona, nesta segunda-feira (1º)  — Foto: Albert Gea/ Reuters

Manifestantes pró-independência da Catalunha fizeram protesto em Barcelona, nesta segunda-feira (1º) — Foto: Albert Gea/ Reuters

"Este governo abriu uma via política, abriu uma interlocução com as autoridades catalães, e essa interlocução com as autoridades catalães está dando resultados", disse a porta-voz do governo, Isabel Celáa.

As reuniões entre ambos os Executivos são frequentes, mas permanece um obstáculo até agora sem solução: os separatistas exigem um referendo de autodeterminação vinculante que não está nas considerações de Sánchez, com um exíguo apoio no Congresso espanhol.


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