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Mundo

20/12/2018 10:06 G1

Putin diz que ameaça de guerra nuclear não deve ser subestimada

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (20) que a ameaça de uma guerra nuclear não deve ser subestimada, mas que espera que o bom senso prevaleça. A declaração foi dada em sua coletiva de imprensa anual, na qual também falou sobre a Síria e outros temas.

Putin afirmou ser difícil prever quais podem ser as consequências se os Estados Unidos se retiraram do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, sigla em inglês), como anunciado em outubro pelo presidente americano, Donald Trump.

"Estamos testemunhando o colapso do sistema de controle de armas", disse Putin, observando o plano dos EUA de se retirar do tratado INF e sua relutância em negociar a extensão do novo acordo START.

O presidente russo disse que se os EUA colocarem mísseis de alcance médio na Europa, Moscou se verá obrigado a tomar medidas para neutralizá-los. Também afirmou que uma guerra nuclear "poderia levar à destruição da civilização como um todo e talvez até do nosso planeta".

Sobre a situação na Síria, onde a Rússia apoia o regime de Bashar al-Assad, Putin disse que concorda com Trump sobre a derrota do grupo extremista Estado Islâmico (EI). Trump afirmou nesta quarta que o EI foi derrotado na Síria e anunciou, por isso, a retirada das tropas americanas.

Mas o presidente russo disse que estava cético sobre a retirada dos soldados dos EUA, apesar de a Casa Branca ter anunciado o começo da saída dos americanos. Putin afirmou que Moscou não observou nenhuma movimentação nesse sentido e que os EUA disseram algumas vezes que sairiam do Afeganistão, mas ainda mantinham tropas naquele país.

 

Derrota do EI na Síria

Na noite desta quarta, França e Reino Unido, que fazem parte da coalizão internacional que bombardeia alvos do EI no território sírio, anunciaram que consideram que o grupo jihadista não está vencido.

"A coalizão internacional contra o Daesh fez enormes progressos", afirmou o ministério britânico das Relações Exteriores em um comunicado, se referindo ao EI por seu acrônimo em árabe.

"Mas resta muito a ser feito e não podemos perder de vista a ameaça que representam. Inclusive sem território, o Daesh continua sendo uma ameaça", acrescenta. A nota também que o Reino Unido permanece "comprometido com a coalizão internacional e sua campanha para privar o Daesh de todo território e garantir uma derrota duradoura".

A França, por sua vez, assinalou que vai manter a presença militar na Síria, segundo declaração da ministra de Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau.

"Por enquanto continuamos na Síria", afirmou a ministra à emissora francesa de notícias CNEWS.

"O Daesh não foi varrido do mapa, tampouco as suas raízes", disse a ministra em um tuíte. "Temos que vencer militarmente e de forma definitiva os últimos bolsões desta organização terrorista", continuou, antes de reconhecer que, no entanto, o "Daesh está mais fraco do que nunca", após "perder mais de 90% de seu território".


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