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31/12/2018 12:29 G1

Investigação sobre a Rússia, pagamento a mulheres, Câmara com maioria democrata: veja os desafios de Trump para 2019

Donald Trump irá iniciar 2019 com a perspectiva de uma segunda metade de mandato bem menos confortável do que a primeira.

Além de perder a maioria na Câmara – que passa a ser controlada pelo Partido Democrata – o presidente americano também deverá lidar com a conclusão da investigação especial sobre os supostos laços de sua campanha eleitoral com a Rússia e até a chance de ser acusado pessoalmente de crimes federais.

E, se até aqui os líderes democratas afastavam a hipótese de um processo de impeachment, o discurso já começou a mudar. No dia 10 de dezembro, membros da oposição falaram abertamente sobre essa possibilidade e até mesmo sobre a ideia de ele ir para a prisão após o fim do mandato.

Um artigo de 15 de dezembro do “Washington Post” começa dizendo que, dois anos após sua posse, quase todas as organizações que Trump já liderou na última década estão sob investigação.

Isso engloba sua fundação – que ele aceitou fechar após acusações de irregularidades financeiras – seus negócios pessoais, sua administração como presidente, sua campanha eleitoral e até sua equipe de transição após sua vitória nas eleições de 2016.

A revista "Wired" fez um levantamento, analisando apenas Trump e pessoas diretamente ligadas a ele, e encontrou pelo menos 17 processos judiciais diferentes, tocados por pelo menos sete conjuntos de procuradores e investigadores - e o total não inclui investigações do Congresso ou quaisquer outras investigações de outros funcionários da administração não relacionados à Rússia.

Veja abaixo alguns dos desafios que o republicano vai enfrentar no ano que começa:

 

  • a acusação de compra de silêncio de duas mulheres que alegam ter tido casos extra-conjugais com ele.
  • a conclusão da investigação sobre suposto conluio da campanha presidencial com a Rússia.
  • a investigação sobre supostas doações estrangeiras ilegais para a posse presidencial.
  • a maioria democrata na Câmara dos Deputados, cujas comissões devem passar a investigar mais o presidente.

 

Pagamento a mulheres

 
Karen McDougal, ex-modelo da Playboy, e Stormy Daniels, atriz pornô, alegam ter tido casos extraconjugais com Donald Trump — Foto: Reprodução/Facebook/Karen MacDougal e Reuters/Mike Blake/File Photo

Karen McDougal, ex-modelo da Playboy, e Stormy Daniels, atriz pornô, alegam ter tido casos extraconjugais com Donald Trump — Foto: Reprodução/Facebook/Karen MacDougal e Reuters/Mike Blake/File Photo

O maior problema de Trump, no momento, parece ser a questão do pagamento feito a duas mulheres que alegam terem tido casos extraconjugais com ele. Em troca do silêncio delas, o ex-advogado do presidente, Michael Cohen, deu US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels e US$ 150 mil ao tabloide "National Enquirer", que comprou e nunca publicou a história da modelo Karen McDougal.

A questão é que Cohen – condenado a três anos de prisão em 12 de dezembro – admitiu que os pagamentos foram feitos com a coordenação e aprovação de Trump, durante sua campanha presidencial, em 2016. Ele também falou sobre ter sido contratado basicamente “cobrir as sujeiras” de seu cliente e garantiu que Trump sabia que efetuar os pagamentos seria errado.

Como o silêncio das mulheres foi comprado para não prejudicar uma tentativa de vencer as eleições, a ação é considerada de interesse político, e pode ser caracterizada como uma violação de leis de financiamento de campanha eleitoral, um crime federal. Esta, inclusive, foi uma das acusações pelas quais Cohen foi condenado.

Trump alega que nunca pediu para Cohen burlar a lei, e que este mentiu para garantir uma sentença menor, mas existe uma gravação de um diálogo entre eles, no qual os dois negociam o pagamento ao National Enquirer. Além disso, o próprio presidente já admitiu que reembolsou Cohen pelo pagamento a Daniels, algo que inicialmente negava.

Michael Cohen, ex-advogado de Trump, é escoltado após receber pena de 3 anos de prisão, em 12 de dezembro — Foto: Shannon Stapleton/Reuters

Michael Cohen, ex-advogado de Trump, é escoltado após receber pena de 3 anos de prisão, em 12 de dezembro — Foto: Shannon Stapleton/Reuters

 

Esse seria o maior problema atual do presidente porque seu nome está diretamente conectado a ele e porque pode render uma acusação formal de crime federal, e consequentemente pena de prisão.

Existe, porém, uma discussão jurídica sobre um presidente poder ou não ser indiciado enquanto está no cargo. Especialistas se dividem e a questão poderia terminar nas mãos da Corte Suprema, que nunca a avaliou.

Caso seja concluído que ele não pode ser indiciado enquanto for presidente, restaria o risco de isso acontecer quando concluir seu mandato, ao fim de 2020. Mas, se for reeleito, Trump ainda pode escapar, já que o prazo para uma acusação por violação das leis de financiamento de campanha eleitoral é de cinco anos, e este caso seria encerrado em 2021.

Rússia

Também em 2019 deve enfim chegar ao fim o trabalho do procurador especial Robert Mueller, que avalia os laços entre diversos personagens que atuaram na campanha eleitoral – e no governo – de Donald Trump e a Rússia.

 
O procurador especial Robert Mueller — Foto: Associated Press

O procurador especial Robert Mueller — Foto: Associated Press

Chamada repetidamente de “caça às bruxas” pelo presidente, que pediu diversas vezes seu encerramento e demitiu o primeiro responsável por ela, a investigação já rendeu uma série de indiciamentos, admissões de culpa e condenações, e pessoas próximas a Trump negociaram benefícios em troca de informações.

E, embora o presidente repita quase diariamente que cada novidade no caso mostra que “não houve conluio” e que ele não tem ligação com nenhum crime, isso não foi comprovado.

Segundo o site “Vox”, até 29 de novembro a equipe de Mueller já havia obtido indiciamentos ou admissões de culpa de 33 pessoas, além de três empresas russas, acusadas de interferência nas eleições presidenciais dos EUA de 2016.

Entre as pessoas físicas estão 26 cidadãos russos, um advogado belga, um americano e cinco ex-assessores de Trump.

Os cinco ex-associados do presidente se declararam culpados: George Papadopoulos, Rick Gates, Michael Flynn, Paul Manafort e Michael Cohen. Os dois últimos já foram, inclusive, julgados e condenados.

Cohen foi condenado pelo caso do pagamento das mulheres, que não tem relação com a Rússia. No entanto, o advogado disse que ele e Trump tentaram se encontrar com o presidente russo Vladimir Putin em 2015 e que, para isso, o advogado manteve contatos com pessoas naquele país.

Ele também admitiu que mentiu ao dizer que, na época da campanha, Trump tinha desistido de construir um prédio de luxo em Moscou e presentear Putin com a cobertura. Segundo Robert Mueller, Cohen divulgou “informações úteis sobre certos assuntos relacionados à Rússia” no centro de sua investigação.

Manafort foi chefe de campanha de Trump, e sua prisão aconteceu por um caso anterior ao seu trabalho com o presidente, mas que envolve laços com políticos ucranianos e russos. Antes de trabalhar para Trump, ele assessorou um político ucraniano pró-Rússia e não declarou o dinheiro que ganhou, entre outras irregularidades.

 Paul Manafort ao lado de Trump durante Convenção Republicana em Cleveland em 21 de julho de 2016 — Foto: Rick Wilking/Reuters

Paul Manafort ao lado de Trump durante Convenção Republicana em Cleveland em 21 de julho de 2016 — Foto: Rick Wilking/Reuters

Dois homens ligados a Manafort também foram indiciados por esse mesmo caso: o advogado belga Alex van der Zwaan, sentenciado a 30 dias de prisão por mentir na investigação, não tem ligação com Trump. Já Rick Gates, também indiciado por conspiração contra os Estados Unidos, lavagem de dinheiro e falso testemunho, chegou a trabalhar na campanha presidencial de 2016.

Papadopoulos, que Trump alega desconhecer, mas que trabalhou em sua campanha, foi condenado a 14 dias de prisão por mentir a agentes federais, quando tentou minimizar seu papel no contato com a Rússia. Entres estes contatos está o professor Joseph Mifsud, sediado em Londres, e que disse a ele que russos possuíam "sujeira" sobre a candidata presidencial democrata Hillary Clinton, adversária de Trump, na forma de "milhares de e-mails".

Mas, desta lista, Michael Flynn é o nome mais impossível de desassociar a Trump. O general reformado foi conselheiro de Segurança Nacional e renunciou após 24 dias no governo justamente por conexões com a Rússia: antes mesmo da posse do novo presidente, ele falou sobre sanções dos EUA ao país e outros assuntos confidenciais com o embaixador russo em Washington, Sergey Kislyak. Para piorar, mentiu ao vice-presidente, Mike Pence, e ao FBI, negando que a conversa tivesse acontecido.

 Ex-assessor de Trump, Michael Flynn chega a tribunal em Washington para ouvir sua sentença, em 18 de dezembro — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Ex-assessor de Trump, Michael Flynn chega a tribunal em Washington para ouvir sua sentença, em 18 de dezembro — Foto: Jonathan Ernst/Reuters

Flynn se tornou o primeiro ex-membro do alto escalão a aceitar colaborar com a investigação de Mueller. Ele se declarou culpado por mentir ao FBI e deveria ter sido sentenciado em 18 de dezembro, mas o juiz adiou a sentença até março, para que ele conclua sua cooperação no caso e possa ser beneficiado por isso.

Mas Flynn não foi o único nome próximo a Trump a ter contato com Sergey Kislyak. Assessor e genro do presidente, Jared Kushner também se reuniu com o embaixador russo e teria inclusive pedido a criação de um canal de comunicação secreto entre a equipe de transição do sogro e Moscou, segundo o “”Washington Post”.

Kushner chegou a ser chamado para depor perante comitês do Senado e da Câmara para falar sobre suas supostas relações com a Rússia, inclusive porque participou ainda de outra reunião importante – uma que teve a presença de seu cunhado, Donald Trump Jr., e da advogada russa Natalia Veselnitskaya.

 Donald Trump Jr é visto durante intervalo de seu depoimento à comissão especial do Senado, em Washington D.C., em 7 de setembro de 2017 — Foto: Reuters/Carlos BarriaDonald Trump Jr é visto durante intervalo de seu depoimento à comissão especial do Senado, em Washington D.C., em 7 de setembro de 2017 — Foto: Reuters/Carlos Barria

Donald Trump Jr é visto durante intervalo de seu depoimento à comissão especial do Senado, em Washington D.C., em 7 de setembro de 2017 — Foto: Reuters/Carlos Barria

Ligada ao Kremlin, a advogada é apontada como uma emissária do governo russo que teria informação potencialmente comprometedora sobre Hillary Clinton.

Trump Jr. também foi chamado ao Congresso para falar sobre o assunto e chegou a divulgar e-mails que trocou com russos. Steve Bannon, que foi o principal assessor de Trump durante a campanha, chamou a reunião do filho do presidente de “traiçoeira” e “nada patriótica”, mas depois pediu desculpas.

Donald Trump nunca conversou diretamente com Mueller, mas respondeu por escrito a algumas perguntas formuladas pela equipe do procurador especial. A imprensa americana diz que Mueller ainda gostaria de falar com o presidente – como um convidado, não intimado – mas seus advogados não querem esse encontro.

Posse

O mais recente problema a afetar Trump surgiu nos últimos dias de 2018. O “New York Times” revelou que procuradores federais investigam irregularidades em sua cerimônia de posse. Caso comprovadas, as acusações podem significar que leis federais foram descumpridas.

 
Donald Trump acena durante a cerimônia de sua posse no cargo de presidente dos Estados Unidos — Foto: Lucy Nicholson/Reuters

Donald Trump acena durante a cerimônia de sua posse no cargo de presidente dos Estados Unidos — Foto: Lucy Nicholson/Reuters

A investigação avalia se estrangeiros de países como Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos doaram dinheiro ilegalmente para o comitê de posse, através de dois fundos, visando comprar influência sobre a política americana.

Os doadores do Oriente Médio teriam usado “laranjas” porque a lei federal dos EUA proíbe que estrangeiros contribuam com campanhas federais, comitês de ação política e fundos de posse.

Além disso, também foi revelado que a Trump Organization recebeu dinheiro por hospedagem, alimentação e cessão de espaços para eventos durante a posse em seu hotel em Washington, e possivelmente cobrando preços acima do normal.

A negociação, segundo pessoas que tiveram acesso à investigação, mas não podem ser identificadas, foi realizada através da então vice-presidente executiva da organização, Ivanka Trump, filha do presidente.

 

Democratas

A virada dos democratas, que conquistaram a maioria na Câmara nas eleições de novembro de 2018, pode render uma dor de cabeça a Trump maior do que a simples dificuldade em aprovar projetos.

Com a liderança, o Partido Democrata também assume o controle de comitês de investigação do Congresso. Antes nas mãos dos republicanos, esses órgãos não eram tão rígidos com o presidente quanto deverão ser a partir de 2019.

 

Segundo a agência Reuters, as investigações serão conduzidas por seis diferentes comissões da Câmara, com algumas caindo sob a possível jurisdição de duas ou mais comissões.

E as principais áreas de investigação incluem justamente declaração fiscal e propriedades empresariais de Trump, qualquer conluio entre a sua campanha e a interferência russa nas eleições de 2016, qualquer violação da cláusula constitucional que proíbe o presidente de aceitar presentes de outros governos estrangeiros sem o consentimento do Congresso, e alegação de que ele descumpriu as regras financeiras de campanha com pagamento em dinheiro para duas mulheres que dizem ter mantido relações sexuais com ele.


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