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Nacional

18/10/2017 10:57 R7

MPF denuncia Cabral, Nuzman e 'Rei Arthur' por esquema na Rio 2016

Acusados no suposto esquema de compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2016, o ex-governador Sérgio Cabral, Arthur César de Menezes Soares Filho (o 'Rei Arthur') e Carlos Arthur Nuzman foram denunciados nesta quarta-feira (18) pelo Ministério Público Federal.

Também foram acusados o braço direito de Nuzman e ex-diretor-geral de operações do Comitê Rio 2016, Leonardo Gryner, além dos senegalezes Papa Diack e Lamine Diack, ex-presidente da Iaaf (Associação Internacional de Federações de Atletismo), envolvidos no esquema.

Investigações realizada por autoridades brasileiras e francesas indicam que Nuzman e Gryner pagaram Papa Diack para que ele usasse da influência do pai, Lamine Diack, na Iaaf, entidade filiada ao COI (Comitê Olímpico Internacional), para comprar votos dos membros africanos do Comitê.

Um e-mail apreendido pela Polícia Federal revela que Papa Diack cobrou Nuzman e Leonardo Gryner por valores não recebidos. "Nós estamos na sexta-feira, 11 de dezembro de 2009, e meu banco ainda não recebeu nenhuma transferência de sua parte. Eu tentei falar com Leonardo Gryner diversas vezes, mas não houve resposta. Você poderia verificar se ele pode confirmar 100% que as transferências foram feitas a meus endereços em Dacar ou Moscou", escreveu Papa Diack no e-mail endereçado para o então presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman.

Foram identificados pagamentos de US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,3 milhões, na cotação atual) ao senegalês dias antes da votação. A transferência teria sido feita pela empresa Matlock Capital Group Ltd., de propriedade de Arthur Soares, o 'Rei Arthur', representante dos brasileiros nas negociatas, que em contrapartida teria contratos firmados por suas empresas com o governo de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.

Assim como Sérgio Cabral, Carlos Arthur Nuzman está preso na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, zona norte do Rio de Janeiro. O ex-presidente do COB teve a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. A defesa nega as acusações e diz que a participação do dirigente “na empreitada criminosa”, faz parte “da criação mental de seus algozes, que não contam com qualquer elemento capaz de respaldar a tese arquitetada”.

O pedido de prisão, diz o MPF, foi decretado porque houve uma tentativa de ocultação de bens por parte do acusado, após a polícia ter cumprido no mês passado um mandado de busca na casa de Nuzman no Alto Leblon, no Rio de Janeiro. Entre os bens ocultados, há valores em espécie e 16 quilos de ouro que estariam em um cofre na Suíça.


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