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Nacional

02/05/2018 14:12 G1

Bombeiros buscam 4 pessoas desaparecidas após desabamento de prédio no Centro de SP

 
 

Corpo de Bombeiros busca quatro pessoas desaparecidas que podem estar nos escombros do edifício Wilton Paes de Almeida, que pegou fogo e desabou no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo.

Além de um morador chamado Ricardo, que quase foi resgatado durante o incêndio e caiu no momento do desabamento, outro morador do prédio falou que três parentes dele estariam no edifício e não foram localizadas até o momento.

O vendedor Antônio Ribeiro Francisco, de 42 anos, disse que busca informações sobre a ex-mulher dele, Selma Almeida da Silva, e os dois gêmeos filhos dela, que moram no prédio. Ele havia conversado com Selva por telefone por volta das 21h de segunda-feira (1).

"Ela disse que estava cansada e queria dormir. Depois, não falei mais com ela", disse Francisco. que enviou mensagens ao celular dela e não obteve resposta.

Ao todo, 49 moradores do prédio e que estavam no cadastro da Prefeitura ainda não foram localizados após o desabamento. Não se sabe se eles estavam ou não no edifício durante o acidente.

Dentre os quatro desaparecidos está o homem que ia ser resgatado no momento da queda. Um bombeiro que tentou retirá-lo disse que, se tivesse mais 30 ou 40 segundos, teria conseguido salvá-lo. "Ele dizia: 'Me tira daqui por favor', e eu respondi: 'Calma, confia em mim'", lembra o sargento Sargento Diego.

O prédio era ocupado por 372 pessoas, de 146 famílias, segundo o Corpo de Bombeiros. De acordo com a prefeitura, 320 pessoas foram cadastradas como desabrigadas após o desabamento e 40 delas buscaram atendimento na assistência social.

O prédio que desabou não tinha condições mínimas de segurança contra incêndio, segundo relatório da Prefeitura obtido com exclusividade pela TV Globo. O documento foi finalizado pela Secretaria Municipal de Licenciamento em 26 de janeiro do ano passado.

Veja o que o documento indicou:

  • Ausência de extintores;
  • Sistema de hidrantes inoperante;
  • Ausência de mangueiras;
  • Ausência de luzes de emergências;
  • Ausência de sistema de alarme;
  • Instalações elétricas irregulares: fios sem isolamento adequado e expostos, além entrada de energia improvisada;
  • Elevadores inoperantes e fechados por tapumes;
  • Ausência de corrimões nas escadas;
  • Instalações do sistema de para-raios não puderam ser avaliadas, pois acesso estava bloqueado.

O Ministério Público (MP) recebeu o relatório, mas decidiu arquivá-lo.

Imagens do cinegrafista Abiatar Arruda mostram que os bombeiros tentavam resgatar um morador na hora que o prédio desabou (veja vídeo acima). Ricardo, de cerca de 30 anos, teria saído do prédio quando o fogo começou, mas voltou para ajudar pessoas que estavam nos andares mais altos.

 

O boletim de ocorrência aberto nesta quarta-feira (2) tem apenas o depoimento dos policiais militares que combateram o incêndio. Por enquanto são só suspeitas.

"A primeira linha de investigação é que foi um acidente doméstico”, disse o secretário da Segurança Pública, Mágino Alves. “O inquérito policial vai ouvir as pessoas que estavam no prédio. Já existem algumas informações.”


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