? ºC Tangará da Serra - MT

Opinião

21/07/2017 11:58

No caminho dos Andes

O que vai mexer no relacionamento MT-Bolívia é o voo para Santa Cruz e as conexões para os EUA

 

Pedro Taques esteve em Santa Cruz de la Sierra na semana passada. Compra de ureia e gás, conexão aérea e turismo e asfalto nos 315 quilômetros da estrada de San Matias a Santa Cruz foram assuntos tratados.

O voo da Azul para Santa Cruz deve ocorrer em setembro deste ano, coincidindo com a Expocruz naquela cidade, exposição que MT deve participar também.

 Estava na comitiva o presidente da associação de agências de viagens do estado com uma fala agora de se fazer uma ligação entre as agências daqui e as de lá para aumentar o turismo regional.

 Num passado não distante não houve esse entendimento.

 Conto mais uma vez essa história. No governo Dante, empresa boliviana colocou um avião de Cuiabá a Santa Cruz para conexão com voos para Miami.

 O preço da passagem para os EUA, incluindo o trecho até Santa Cruz, era de 600 dólares ida e volta. O voo por São Paulo para Miami era de 900 dólares com oito horas de viagem. Por Santa Cruz são seis horas.

 Faz sentido alguém daqui que vai a Cuzco ir a São Paulo e dali a Lima? Por Santa Cruz "corta" caminho para qualquer lugar dos Andes e ali agora terá uma empresa aérea local em conexão com a Azul.

 Turistas dos Andes podem também vir a MT, daqui a Brasília e para o Nordeste sem ir a São Paulo. Cuiabá e Santa Cruz serão os dois centros.

 Não esquecer que Santa Cruz tem acima de 1.6 milhões de habitantes e sua área metropolitana passa de dois milhões ou dois terço da população de MT.

 E dali se vai a qualquer país andino que tem juntos um PIB de quase um trilhão de dólares. Lugar que a exportação de MT, com a ZPE no futuro, tem que levar em grande consideração.

 Na viagem também se discutiu que Mato Grosso poderia comprar a produção de 600 mil toneladas anual de ureia da Bolívia. Para o preço ser viável seria útil a pavimentação dos 315 quilômetros da estrada até Santa Cruz.

 Autoridade boliviana disse que o custo do quilômetro estaria entre 800 mil dólares a 1.2 milhão. Que seja um milhão de dólares por quilômetro ou 315 milhões de dólares, algo como um bilhão de reais. A Corporação Andina de Fomento já disse que empresta o dinheiro.

 Quem sabe o BNDES poderia ajudar no empréstimo. Isso é troco para um banco que, entre 2007 e 2014, movimentou perto de um trilhão de reais.

 A JBS recebeu muitos bilhões disso. Por que não uma estrada que faria uma revolução no coração da América do Sul?

 Ureia, estrada, gás, ZPE demoram ainda. O que vai começar a mexer no relacionamento MT-Bolívia é o voo para Santa Cruz e as conexões para os Andes e Miami.

 A volta deste caminho de turismo para os EUA vai pegar.

 

 ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e articulista político em Cuiabá.

pox@terra.com.br

www.alfredomenezes.com


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