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Polícia

12/04/2018 15:13 OLHAR DIRETO

PM que matou empresário já foi condenado por matar homem em festa na Unic

O soldado da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam), Welliton da Silva Pereira, que matou o empresário Rafael Henrique Santi, na noite do último domingo (08), durante festa funk na Chácara das Poderosas, em Várzea Grande, já foi condenado por matar Roberto Cesar dos Santos, durante uma festa junina que acontecia no estacionamento da Universidade de Cuiabá (Unic), no ano de 2009. À Polícia Civil, ele alegou que atirou em Rafael em legítima defesa.

Segundo informações da Polícia Militar, Pereira foi acusado de atirar e matar um homem, que havia pedido para dançar com a companheira dele.  Em 2017, a 1ª Vara Criminal de Cuiabá condenou o policial a seis anos de prisão, em regime semiaberto.
Assim como no homicídio do empresário, o policial estava de folga, e não exercia atividades militares. Pela primeira morte, ele foi condenado pela Justiça à perda da função pública. No entanto, o policial recorreu à decisão e aguarda julgamento do recurso.
 
Já com relação ao episódio recente, a Corregedoria da Polícia Militar está apurando se houve transgressão disciplinar em relação à conduta militar. O policial militar afirmou que disparou em legítima defesa e fugiu do local temendo por sua segurança.
 
O  delegado Marcelo Jardim, responsável pela investigação junto à Delegacia de Homicídios e Proeteção à Pessoa, o soldado explicou que estava de folga, resolveu passear com sua motocicleta e, ao passar pelo local onde acontecia um evento de som automotivo, decidiu entrar. Além disto, afirmou ter pago R$ 20 pela entrada e permanecido no local por algum tempo. Declarou que quando se dirigía ao estacionamento para ir embora, encontrou um amigo com quem ficou conversando, momento em que ouviu disparos de arma de fogo.
 
Na sequência do depoimento, o soldado afirmou que instintivamente, seguindo seu treinamento, e sem saber se os disparos eram em sua direção ou de outra pessoa, se abaixou, já sacando sua arma e se virando em direção ao local de onde partiam os disparos. Na sequência, gritou: “Polícia, larga a arma”. Porém, o empresário teria apontado a arma em sua direção, o que o levou a efetuar dois disparos em direção à ele.
 
Ainda em interrogatório, o soldado disse que tentou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas teria ouvido murmúrios do tipo “vamos pegar esse Polícia”, e decidiu deixar o local, temendo por sua segurança. O policial afirmou ter se apresentado no dia seguinte aos oficiais da Polícia Militar.
 
Conforme a assessoria de imprensa da Polícia Civil, a DHPP prossegue com as investigações para apurar todas as circunstâncias do homicídio em inquérito policial presidido pelo delegado Marcelo Fernandes Jardim. Duas armas de fogo, apresentadas pelo policial (um revólver calibre 38, sem numeração aparente, que teria sido usado por Rafael, e uma pistola 840, de uso do soldado) serão encaminhadas para trabalho pericial da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
 
Além do interrogatório do autor dos disparos, quatro testemunhas serão formalmente ouvidas na delegacia, segundo o delegado. “Eventual legitima defesa ou excesso por parte do policial serão apurados no curso da investigação para a devida apreciação do Ministério Público e Judiciário”, explica Marcelo Fernandes Jardim.
Com o empresário foram encontradas seis munições, que estavam dentro de sua meia.


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