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Política

13/11/2017 16:24 Midia News

Coronel tinha amizade muito próxima com juiz, diz cabo

O cabo PM Gérson Correa afirmou que a relação de amizade entre o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, e o juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira pode ter aberto caminho para as interceptações ilegais realizadas em Mato Grosso.

As investigações mostraram que a chamada “grampolândia” teve início em 2014, por meio da prática de “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

A decisão que autorizou as escutas foi assinada pelo juiz Jorge Alexandre, da Comarca de Cáceres (225 km ao Norte de Cuiabá).

“(Foi escolhida a Comarca de Cáceres) pelo que fiquei sabendo porque o doutor Jorge Alexandre tinha intimidade, uma relação de amizade muito próxima com o coronel Zaqueu Barbosa”, afirmou Gérson.

A declaração consta no interrogatório do militar, prestado ao delegado Flávio Stringueta, um dos responsáveis pelas investigações dos grampos, antes de elas passarem a ser conduzidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

No interrogatório, o cabo Gerson afirmou que foi ele quem produziu os relatórios que subsidiaram o pedido de interceptação feito à Justiça.

Inicialmente, foi pedida a quebra de sigilo de policiais militares que poderiam estar envolvidos em crimes praticados na fronteira do Estado.

Em um segundo relatório, o cabo Gerson já inseriu telefones de políticos, jornalistas, advogados e demais pessoas sem qualquer relação com os supostos crimes.

Conforme Gérson, a inserção de tais números ocorreu a pedido do próprio coronel Zaqueu Barbosa.

O militar afirmou que, antes mesmo de produzir tais relatórios, já tinha conhecimento de que o pedido de interceptação seria analisado pela Comarca de Cáceres.

“Fiquei sabendo pela própria boca do coronel Zaqueu”, disse o cabo.

Questionado pelo delegado se o coronel Zaqueu teria acesso direto aos serviços realizados naquela Comarca, Gérson disse que não tinha conhecimento de tal fato.

“Só sabia da relação de amizade dele (Zaqueu) com o doutor Jorge Alexandre”, afirmou.

Ainda em seu depoimento, o cabo Gérson admitiu que os relatórios produzidos por ele eram muito “frágeis” para subsidiar os procedimentos de interceptações.

Não somente o relatório inicial contendo apenas os números de militares, como o segundo, já com os números dos chamados “alvos políticos”.

“Há de se ressaltar que esse primeiro período, o relatório - que eu não imaginava que era para representação de interceptação telefônica – foi de duas laudas, sem assinatura, inclusive”, disse.

“Isso, na minha opinião, evidentemente, não subsidia ou é muito frágil para subsidiar um procedimento de interceptação, mas foi utilizado e voltou com a decisão judicial que de fato culminou com o início das interceptações”, afirmou.

 

Veja trecho do depoimento:


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