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Política

09/02/2018 15:14 G1

Sargento da PM que atuava em central clandestina diz que transcrevia conversas de vítimas de grampos em MT

sargenta da Polícia Militar Andréia Pereira de Moura Cardoso afirmou, em depoimento prestado à 11ª Vara Militar de Mato Grosso, nesta sexta-feira (9), ter participado do esquema que grampeou milhares de pessoas no estado, entre jornalistas, políticos e empresários, e que transcrevia as conversas.

No entanto, ela negou ter conhecimento de que se tratava de um ato ilegal, já que as interceptações eram autorizadas pela Justiça.

"Tinha autorização da Justiça. Nunca desconfiei. Achei que estivesse fazendo uma tarefa legal da minha profissão", afirmou a sargento, que foi exonerada no ano passado, depois que o escândalo veio à tona em uma reportagem do Fantástico. Ela prestou depoimento como testemunha, no Inquérito Policial Militar (IPM).

 
Sargento afirmou que o cabo da PM Gerson Corrêa Júnior, que está preso, era quem dava as coordenadas (Foto: TVCA/Reprodução)

Sargento afirmou que o cabo da PM Gerson Corrêa Júnior, que está preso, era quem dava as coordenadas (Foto: TVCA/Reprodução)

O cabo Gerson Correa Junior, que está preso desde maio do ano passado, era quem levava os nomes e telefones a serem ouvidos e, segundo ela, ele citava uma decisão que autorizava as escutas, mas alegou que nunca teve acesso às decisões mencionadas por ele.

Ela alegou que os alvos eram apenas militares e que não haviam políticos e jornalistas.

Segundo a sargento, Gerson e o cabo Euclides Luiz Torezan, ambos da PM, tinham acesso ao escritório onde funcionava a central de escutas clandestinas. Também disse que o computador que ela usava foi formatado a pedido do cabo Gerson, que coordenava o sistema de escutas.

Andréia fazia a transcrição das conversas. Ela disse que só ouviu militares investigados por desvio de conduta, presidiários e suspeitos de tráfico de drogas.

Além de Gerson, o coronel Zaqueu Barbosa, ex-comandante da PM de Mato Grosso, está preso preventivamente desde o dia 23 de maio de 2017 acusado de envolvimento no esquema de grampos, que funcionou entre outubro de 2014 e agosto de 2015.

Em depoimento prestado no dia 26 de maio à Corregedoria da PM, que abriu inquério para apurar o caso, a sargento contou que foi chamada entre 2014 e 2015 pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira Júnior, que na época era comandante do Ciopaer (Centro Integrado de Operações Aéreas), que lhe pediu que procurasse Zaqueu Barbosa. Este, por sua vez, disse à policial que ela iria trabalhar na Inteligência da PM, especificamente para monitorar interceptações telefônicas.

A sargento disse que a central de escutas telefônicas funcionou inicialmente num prédio no centro da cidade, perto do Museu do Morro da Caixa D'água Velha. Lá, ela trabalhou no monitoramento das conversas com o cabo Gerson e com o PM Cleyton Rosa de Barros, atualmente também lotado na Casa Militar. Depois, Andrea disse que essa central parou de funcionar no prédio e ela começou a trabalhar de casa.

Apenas o inquérito contra os militares tramitam na Justiça estadual. Desde outubro do ano passado, o esquema está sendo investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A decisão de tirar o processo das mãos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) atendeu aos pedidos feitos pelo governador Pedro Taques (PSDB) e pelo Ministério Público Federal (MPF).

Com isso, todas as diligências e depoimentos que até então ocorriam sob a relatoria do desembargador Orlando Perri, no TJMT, passaram a tramitar sob a supervisão do ministro Mauro Marques, do STJ.

O esquema foi denunciado à Procuradoria-Geral da República (PGR) pelo promotor de Justiça Mauro Zaque, que foi secretário de Segurança em 2015. Ele diz que recebeu denúncia do caso naquele ano e que alertou o governador Pedro Taques (PSDB).

A PGR investiga se Taques sabia do crime e de quem partiu a ordem para as interceptações. O governador, por sua vez, nega que tinha conhecimento sobre o caso.

Os telefones foram incluídos indevidamente em uma investigação sobre tráfico de drogas que teria o envolvimento de policiais militares. O esquema é conhecido como barriga de aluguel.


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