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13/11/2017 16:18 Midia News

Clube da elite cuiabana, D. Bosco está abandonado há 20 anos

Os cuiabanos mais experientes devem se lembrar com saudades dos grandes bailes e festas de Carnaval e Reveillon no clube social Dom Bosco, localizado na Rua Diogo Domingos Ferreira, no bairro Bandeirantes, região central de Cuiabá.

O local, que entre as décadas de 60 a 90 era considerado o clube da alta sociedade cuiabana, está completamente abandonado, há pelo menos vinte anos.

O grande espaço social, com piscina, salões de festas e quadras poliesportivas, atualmente, dá lugar ao mato, aos destroços de brinquedos e aos entulhos de tijolos, canos e fios.

O advogado Armando Cândia Dombosquino de coração, chegou a frequentar o clube quando criança.

Ele – que faz parte da associação "Leões da Colina" - revelou que seu maior sonho é um dia poder voltar a nadar na piscina do local, acompanhado do filho.

“Eu lembro dos bailes de carnavais, dos desfiles que eram realizados lá. É uma pena realmente esse abandono. O clube faz parte da história de Cuiabá e precisa ser revitalizado. E aí é preciso empenho de toda sociedade, do Poder Público”,  disse.

Cândia costuma dizer que é filho do clube. Isso porque, conforme ele, foi lá que seus pais, Julio e Mira Cândia, se conheceram.

“Minha mãe conta que toda juventude de Cuiabá frequentava o clube, era o único lazer da cidade.  Ela passava as tardes lá com as amigas, tomando banho na piscina, jogando vôlei e, em um desses dias, conheceu meu pai e eles começaram a namorar. Todos os primeiros encontros deles foram lá”, afirmou.

A sede do clube Dom Bosco foi adquirida no ano de 1957 pelo então presidente do Clube Esportivo Dom Bosco, coronel Caracíolo Azevedo de Oliveira.

A construção foi um marco na história de Cuiabá, tanto pelo moderno espaço, na época, quanto por ser o primeiro time de futebol do Estado a ter uma sede própria.

No clube, só podia entrar quem tinha a carteirinha e, conforme relatos, não era barato ser um associado.

Somente pessoas importantes da sociedade frequentava o local.  

O dinheiro arrecadado do clube social servia como renda para o time de futebol, um dos mais antigos de Mato Grosso.

O clube teve sua estreia no Campeonato Mato-grossense de Futebol em 1943.

De lá para cá,  foi campeão seis vezes da competição: em 1958, 1960, 1963, 1966, 1971 e 1991.

Um fato que marcou a história do clube foi o jogo contra o Santos, do Rei Pelé, no Estádio Presidente Dutra, o Dutrinha em  1965.

Como já era esperado, o time santista levou a melho,r ganhando o jogo por 6 a 2, com os gols de Pelé (3), Coutinho (2), e Peixinho (1).  Do lado do Dom Bosco, marcaram  Uizer e Pretinho.

jogo

Foto do jogo entre Santos x Dom Bosco, no Dutrinha

Outra história marcante do clube foi a partida contra o São Cristovão, no estádio do Maracanã, em 29 de abril de 1970, fazendo a preliminar do jogo Brasil x Áustria.

O jogo ficou no 1 a 1.  A imprensa cuiabana relatou, na época, que a vitória era para ser do Dom Bosco, se não fosse à péssima atuação do árbitro carioca Rubens de Souza Carvalho.

Voltando ao cenário estadual, em 2006, o clube amargou o vexame de ser rebaixado para a Segunda Divisão.

Mas, por decisão da Federação Mato-grossense de Futebol, o campeonato da ‘segundona’ não foi disputado e o Dom Bosco foi mantido na divisão principal, assim como o Sorriso Esporte Clube, que também fora rebaixado no ano anterior.

Depois de outra campanha pífia em 2007, o Dom Bosco se licenciou  e não disputou mais o Campeonato Estadual.

O clube retirou a licença do futebol em 2014, quando retornou aos gramados em 23 de julho daquele ano e foi campeão do Matogrossense da 2ª Divisão.

Dessa forma, retornou à elite do futebol de Mato Grosso em 2015. 

O atual vice-presidente do Dom Bosco, Paulo Emilio, afirmou que está trabalhando para revitalizar o clube social.

O objetivo, conforme ele, além de resgatar a história do espaço, é  também poder manter o time com a renda dos associados.

“As duas coisas, sem dúvidas, estão interligadas. Posso dizer que já estamos com duas situações aí para revitalizar o clube social do Dom Bosco, mas ainda estamos esperando respostas. São grandes empresas estão interessadas nesses planos, mas não podemos revelar detalhes ainda”, disse.

“Mas com certeza, se der certo, vai ajudar muito o time. E, claro, a resgatar a história do clube. Além disso, trazer um espaço de lazer para a sociedade”, completou

 

 


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