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Dejamir Souza Soares 09/07/2018 09:17 Da Redação

Presidente Sindicato dos Profissionais de Enfermagem de Mato Grosso - Sinpen

JCOPopular – Qual é a principal atribuição do Sindicato dos Profissionais da Enfermagem de Mao Grosso?

Presidente do Sinpen, Dejamir – Por ser um sindicato de base estadual, ele defende por sua carta sindical, os enfermeiros, auxiliares de enfermagem, os técnicos de enfermagem que atuam, tantos nos hospitais particulares, os celetistas e, também, como nas OS, OSCIPs e ONGs, nas secretarias municipais e estadual de saúde e também, servidores púbicos federais da enfermagem.

JCOPopular – No que consiste exatamente a função de um Profissional de Enfermagem?

Presidente Dejamir – O profissional de enfermagem é popularmente conhecido como o anjo branco, porque é um profissional que está lado a lado dos pacientes nas 24 horas. Ele não é apenas um profissional, ele é um amigo, é um psicólogo, o médico, o fisioterapeuta, o cuidador. Então, o profissional de enfermagem, antes de mais nada, é um profissional que tem um carinho e amor muito grande pela vida do próximo. Porque é uma profissão que não é fácil de ser realizada, só trabalha que tem vocação, dinheiro a gente não ganha. Possui uma carga horária que ainda é desumana, tanto é que ainda lutamos por dois PLs em Brasília, sendo um que trata da jornada de trabalhos de 30 horas, por uma jornada mais humanizada para o profissional de enfermagem e um piso salarial nacional, voltado para auxiliares técnicos e enfermeiros.

JCOPopular – A questão da saúde pública envolve os três entres federativos (União, Estados e Municípios), na questão de atribuições e, mesmo, distribuição de verbas. Na sua avaliação, qual seria a forma ideal, por exemplo, da distribuição de verbas?

Presidente Dejamir – O governo federal fica coma a maior parte dos impostos arrecadados, com aquela PEC que diminui o teto dos gastos da saúde e educação, estrangulou ainda mais os municípios. O Estado por sua vez faz os seus repasses, paulatinamente, não cumprindo sempre o teto. A saúde e educação pública nesse país, deveria seguir uma pirâmide invertida, a maior parte do bolo das arrecadações, deveria ficar com os municípios, Estados e depois a União. Não adianta se investir em estrutura, como criação de hospitais, ambulâncias, porque isso não resolve o problema, porque não investimos na prevenção. Mas, precisamos criar regras claras, porque não adianta liberar dinheiro para os municípios e termos secretário dessa pasta, que é um borracheiro e mesmo peão de fazenda do prefeito. Precisamos que o secretário de saúde seja, no mínimo, profissional de saúde, com nível superior.     

JCOPopular – O que o presidente quis dizer exatamente que o governo federal estrangula os municípios?

Presidente Dejamir – O cidadão quando adoece, ele adoece nos municípios e não no Governo Federal, então, se o cara adoece em Rosário Oeste, o Temer não sabe que este cidadão está doente. Então, a distribuição dos impostos para os municípios tem de ser a curto prazo. 

JCOPopular – Sobre a distribuição de verbas, existe PEC em Brasília, que pretende passar as verbas direto para os municípios, deixando a União de fora, para que estes apliquem as verbas de forma direta, mais rápido. O senhor concorda com isso?

Presidente Dejamir – Sim. Na verdade, quem tem que gerir os recursos da saúde, são os próprios municípios, porque o sistema atual é muito burocrático, porque essas verbas até parecem algodão doce, vai circulando, começa a bater  vento e só vai diminuindo.  

JCOPopular – Na avaliação de especialistas, tal PEC já nasceu, praticamente morta, porque a União não vai querer perder parte de sua arrecadação.  Qual sua avaliação?

Presidente Dejamir – Ele estão certos, porque a União, os deputados, os senadores não vão querer perder essa romaria que os prefeitos e vereadores fazem o ano todo, cada um com pires nas mão, pedindo liberação de emendas para seus municípios.  É tudo que esses políticos gostam e não vão querer perder essa mamata. Eles não vão querer alterar o atual modelo político.     

JCOPopular – A queda da contribuição confederativa no STF abalou, decisivamente, as finanças dos sindicatos. Qual sua opinião sobre esse polêmico tema?

Presidente Dejamir – Existiam muitos sindicatos que viviam de contribuição sindical, isso é fato. Essa situação não abalou o nosso sindicato porque, hoje, temos mais de seis mil filiados nas bases, nas estruturas. Atualmente, o Sinpen só recebe apenas de quem é filiado de fato. O Sinpen só acata decisão de filiados.     

JCOPopular – Essa decisão do STF praticamente encerra um modelo de sindicalismo e, isso, de certa forma, obriga a atual estrutura sindical a buscar outras formas de se atrair novas arrecadações. Isso seria uma solução?

Presidente Dejamir – Sim. O sindicato que é atuante, em permanente contato com a base, que não foge do trabalho, está sendo uma boa. Tivemos até um aumento de 30% em nossa arrecadação, porque os próprios trabalhadores estão entendendo que o sindicato é um instrumento de luta. Seja quem estiver no cargo de presidente, todos sabem que ele é temporal, tem um prazo, enquanto o sindicato é eterno, é uma estrutura destinada ao bem estar de nossos associados.

JCOPOpular – O caos se instalou na Saúde Pública de Cuiabá, por isso foi criada recentemente uma CPI na Câmara de Vereadores. Qual sua opinião sobre essa situação?

Presidente Dejamir – A gente sabe que Cuiabá não vai resolver o problema de saúde pública. Pra se resolver o problema da saúde pública do Estado, o governador não precisa construir hospitais, ele precisa fazer os repasses em dia e cobrar que os municípios cumpram seus objetivos.  A secretária de saúde de Cuiabá, Elizete, fez de forma correta, recentemente, se demitindo, porque não conseguiu formar a sua equipe técnica. Essa CPI tem que ser técnica e não política e que ofereça elementos processuais, para que o Ministério Público Municipal e Estadual, altuem e processem, via Tribunal de Justiça.          

JCOPopular – Uma das motivações dessa CPI é a falta de medicamentos básicos na maioria dos Postos de Saúde e Policlínicas de Cuiabá e, mesmo, no Pronto Socorro. O senhor concorda com esse enfoque, ou acredita que existam situações mais urgentes em Cuiabá, ao se falar em saúde pública?

Presidente Dejamir – Só conseguimos fazer saúde pública quando trabalhamos nos bairros, na saúde preventiva e não curativa, com a consulta médica, consulta de enfermagem, a visita do agente comunitário de saúde. Quando não temos ofertas de medicamentos básicos, como dipirona, remédio de pressão, remédio para gestantes, remédios de diabetes, é sinal de que algo não vai bem e essa situação vai arrebentar no Pronto Socorro. Esse caos chegou a situação tão catastrófica, que nós fomos à Câmara Municipal, denunciar esta trágica situação.     

JCOPopular – Já começou a efervescência da campanha política, com o ápice da reta final das eleições de outubro próximo, se aproximando. Acredita-se que esta seja a motivação principal da criação dessa CPI. Qual sua opinião?

Presidente Dejamir – Conforme notícias da Câmara Municipal, o regimento da Câmara municipal não permite os trabalhos de cinco CPIs, de forma simultânea, e ao se criar essa CPI da Saúde, de imediato, a base aliada do prefeito criou mais duas CPIs, totalizando as cinco CPIs, portanto, está tudo parado quanto a essas CPIs.

JCOPOpular - Os problemas estruturais da saúde pública em Cuiabá, não são diferentes da maioria de outras cidades de mesmo porte no país. Deficiências de todos os tipos em seu dia-a-dia, como falta de medicamentos, lotação nos hospitais públicos, policlínicas e, no próprio Pronto Socorro. Neste último, há muito tempo que se vê o caos em seu atendimento. É comum se faltar leitos, UTIs e muitas vezes, pacientes são atendidos em cadeiras nos corredores. Qual sua opinião?

Presidente Dejamir – A superlotação do Pronto Socorro de Cuiabá, volto a dizer, é devido ao desmando que acontece na saúde pública do Estado. O secretário de saúde do Estado tem que ter caneta, liberdade financeira, não dá para se trabalhar nessa área, dependendo de liberação da Sefaz. O Secretário de Saúde do Estado tem de ter autonomia financeira para executar as ações da saúde, senão, só teremos secretário fantoche, como já vimos um monte passando por ai e, a maioria, despreparada para ser secretário. Pronto Socorro é uma verdadeira carnificina. Continuamos reanimando pacientes no chão, por falta de leitos? Sim. Paciente morrem deitados nos corredores? Sim. Salvamos vidas de pacientes, atendendo de joelhos? Sim. Essa carnificina continua? Sim. Vereadores, Deputados, Ministério Público, tem conhecimento dessa realidade? Sim. Ações são tomadas? Não. Porque?            

JCOPopular – O sistema Único de Saúde – SUS, é considerado um das mais perfeitas estrutura de saúde pública do mundo, inclusive, muito copiado por outros países. Porém, a realidade em nosso país é totalmente diferente. Excesso de burocracia, corrupção e outras negatividades atrapalham seu pleno desenvolvimento. O senhor como liderança em seu segmento, possui longa experiência em saber dessas questões. Qual sua opinião, como profissional de saúde e, claro, como presidente do sindicato dos Enfermeiros? 

Presidente Dejamir – O SUS é a bandeira de todos os sindicatos da saúde, hoje. Somos um país que possui mais de 15 milhões de desempregados, atualmente, desses, muitos não tem o que comer, se tá faltando o que comer, imagina condições pra se pagar uma consulta médica. O SUS funciona? Funciona. O SUS salva vidas? Salva. Só que o lado negativo do SUS, é por ele ser muito evidenciado. Só que a aplicabilidade técnica dele é fantástica. Só que o governo federal, ao cortar as verbas ferais lá em cima, ele diminui os repasses nas bases e ele quer mostrar que o SUS não funciona, que o SUS é inoperante, que só tem malandro trabalhando, que só tem corrupto, e o que funciona mesmo, são os hospitais particulares. A união faz um direcionamento mal intencionado, para que a população comece a tirar os olhos para o SUS e opte pelos hospitais privados, tal qual nossa educação.

JCOPopular – Tramita uma PEC em Brasília, no sentido de se limitar cada vez  mais o instrumento legal das greves no país, em todas as categorias profissionais. Sua opinião sobre isso.           

Presidente Dejamir – Quando o STF cortou o imposto sindical, se cortou o combustível dos sindicatos se locomoverem. Então, como os sindicatos vão para o enfrentamento de uma greve, se não tem gasolina para os veículos? Como se vai fazer as grandes marchas em Brasília, em prol do trabalhador, se não tem combustível? São situações que nos deixam tristes. Muitos sindicatos pelegos foram para o pau, graças a Deus. As centrais sindicais estão mortas. Os últimos remanescentes de toda a estrutura sindical do país, são os sindicatos de novo, que precisam da conscientização política do trabalhador e que se filiem.          


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